Jornal Tribuna da Bahia
http://www.tribunadabahia.com.br/politica.htm - 02/08/10 14:51:23 - 02/14/07 12:05:28
Reforma pode ser usada para romper com PMDBA política baiana entrou em estado de ebulição com a manchete de ontem da Tribuna da Bahia “Geddel admite que é candidato ao governo”, assinada pelo jornalista Janio Lopo. Nos bastidores, soube-se que o governador Jaques Wagner teria aberto a discussão do tema com seus principais auxiliares e já teria decidido anunciar até o próximo dia 20 deste mês uma profunda modificação no seu secretariado. As informações dão conta ainda que a atitude de Wagner vai representar, na prática, o rompimento da aliança entre PT e PMDB. As duas secretarias ocupadas hoje pelo PMDB – Infraestrutura e Indústria e Comércio – teriam seu comando alterado para abrir espaço a outros parceiros políticos. Cogita-se que o governo tenciona usá-las para atrair o PR e PDT, legendas que vêm sendo tratadas a banho-maria pelo Palácio de Ondina. Wagner agora estaria disposto a privilegia-las, esvaziando assim qualquer possibilidade delas se coligarem com o PMDB já nas eleições de 2010. Outra informação: a superreforma administrativa não atingiria exclusivamente os peemedebistas Batista Neves (Infraestrutura) e Rafael Amoedo (Indústria e Comércio). Secretários que não estão fazendo o dever de casa serão convidados a pedir o boné e voltar para suas ocupações de origem. Márcio Meireles, da Cultura, Jorge Solla, da Saúde e até a “estrangeira” Eva Chiavon estariam na lista negra do governador. Outros nomes também são citados e entre eles, o do secretário de Segurança Pública, César Nunes e Educação Adaum Suam, além de Ronald Lobato, Planejamento. Se optar pela superreforma administrativa, o governador estaria evitando transparecer que está retaliando o PMDB baiano, já que seus próprios partidários também seriam afastados dos cargos onde estão instalados. Entretanto, um interlocutor político de peso garantiu que embora não fosse surpresa, a declaração de Geddel confirmando sua intenção de disputar o governo da Bahia apressou todo um processo que esperava-se só se concretizar no início do próximo ano. Para esse mesmo interlocutor, o PMDB age corretamente politicamente ao não iludir ou usar de subterfúgio com o PT. Isso porque não haverá como, no futuro, os petistas acusarem a sigla de Geddel de oportunismo ou outro adjetivo menos gratificante. “Não queremos que adiante nos digam que agimos como eles (os petistas) que deixaram o governo João Henrique no último minuto da prorrogação do segundo tempo”, confidenciou a fonte. Para o PMDB, não há razão para tempestades. O ministro Geddel já havia sinalizado seu desejo de concorrer à sucessão de Wagner quando disse claramente, através de publicação na imprensa, que não seria candidato novamente à Câmara dos Deputados. O recado foi direto, embora várias interpretações fossem dadas às palavras do peemedebista. Conjecturou-se sobre a disputa a uma das duas vagas ao Senado, o que Geddel sequer chegou a debater. Imaginou-se ainda um convite para ele ser vice na chapa presidencial encabeçada pela ministra Dilma Rousseff.Classe política comenta decisão do ministro de sair candidatoA matéria publicada ontem pela Tribuna da Bahia, em que o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima (PMDB), admitiu pela primeira vez, ser candidato ao governo do Estado em 2010, além de causar surpresa no meio político, acabou por polemizar ainda mais a relação entre o PT e o PMDB baiano. Se por um lado há os que defendam a concretização da candidatura de Geddel, por outro há os que cobrem, embora nas entrelinhas, uma postura mais rígida por parte do PT, no que diz respeito a toda essa “novela”. O prefeito João Henrique, reeleito pelo PMDB, por exemplo, não hesitou em afirmar que em sua opinião o ministro é o nome forte do seu partido para disputar o governo estadual. “Ou melhor, o PMDB enquanto maior legenda do Brasil tem condições de lançar candidatos próprios para qualquer cargo relevante, desde que seja sempre baseado em princípios éticos e de prestação de serviços à sociedade”, destacou. O deputado estadual peemedebista, Luciano Simões, embora não tenha demonstrado tanto entusiasmo quanto o prefeito, declarou que: “Se ele já disse, então pode acontecer. Afinal, ele já reiterou inúmeras vezes que o seu propósito é disputar uma chapa majoritária, que tanto pode ser para o governo da Bahia quanto para o Senado”. No entanto, mostrando-se bastante cauteloso, ressaltou acreditar, que por não considerar nenhuma novidade na declaração de Geddel, que isso possa motivar a saída do PMDB do governo Jaques Wagner. “Nós damos sustentação ao governo e somos aliados, mas quem decide pela nossa saída ou não é Wagner”. No âmbito petista, o governador, através de sua assessoria, declarou que enquanto nada houver de concreto não irá se manifestar sobre o fato. Por tabela, negou ainda que a polêmica tenha acelerado uma reforma, para o próximo dia 20, no sentido de desbancar o PMDB. O deputado estadual Zé Neto (PT), por sua vez, disse ter imaginado que com as eleições da Assembléia Legislativa, onde segundo ele, Wagner demonstrou força, os impasses do gênero tivessem sido sanados. “Mas, Geddel resolveu trazer a discussão à tona. Contudo, acho que não seria o fato de o governador expulsar o PMDB do governo, mas sim de Geddel dizer, de fato, o quer quer”, disparou. Ainda segundo Zé Neto, “nós não podemos entrar nesse zumzumzum, nem focar essa disputa política como o mais importante. Até porque o mais importante é dar continuidade aos trabalhos e não se deixar levar pelas conversas.Com base nisso, o melhor a fazer é esperar a poeira baixar para que o PT possa conversar com o PMDB da forma devida. Ou seja, alinhado com tudo que nós (PT e PMDB) nos comprometemos juntos a fazer pelo povo da Bahia”, disse o deputado estadual, aproveitando para atacar o democrata Paulo Souto. Conforme ele, “isso serviu para minimizar ainda mais os movimentos de Paulo Souto em relação à sua ida para o PSDB. Esse sim tem sido o coadjuvante do coadjuvante da política baiana”. (Por Fernanda Chagas)Candidaturas afastam Geddel de possível disputa ao SenadoÀ medida que o tempo passa consolida-se a candidatura do ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima (PMDB), ao governo do estado em 2010. Em matéria veiculada na edição de ontem deste jornal, o ministro admitiu publicamente pela primeira vez que deve mesmo ser candidato. Enquanto isso, fecha-se o cerco para que o ministro faça parte na composição da chapa do governador Jaques Wagner (PT), já declarado candidato à reeleição. Considerado um potencial candidato ao Senado, por isso uma das duas vagas disponíveis sempre foi reservada a Geddel. Contudo, o número de concorrentes interessados nas duas vagas existentes para o Senado é tão grande que representa mais um sinal de que os partidos de esquerda ou não querem ou não acreditam mais na candidatura do ministro na mesma chapa do governador Jaques Wagner em 2010. A aprovação do nome do diretor da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Haroldo Lima, para disputar uma das vagas pelo PC do B em reunião realizada neste final de semana, atesta essa realidade. Lima é um velho militante comunista, já foi candidato ao Senado em 2002, e agora quer voltar à cena política. O nome do comunista engrossa o número de interessados para disputar o cargo na chapa governista. Mas as opções não param por aí. Além da deputada federal Lídice da Mata (PSB), existe ainda especulações sobre os nomes do atual conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), Otto Alencar, e dos deputados petistas Walter Pinheiro e Nelson Pelegrino. O nome de Lídice surgiu desde o primeiro turno da eleição de Salvador, quando foi anunciado que a deputada retirou a sua candidatura para compor chapa com Walter Pinheiro em troca do apoio ao seu nome para disputar o Senado em 2010. Já o conselheiro Otto Alencar, que deve voltar à política no final deste ano, faz parte de uma operação que vem sendo tratada nos bastidores e contaria com a sua filiação ao PR, ao PDT ou mesmo o PSDB. Otto seria uma opção para formar a chapa do governador Jaques Wagner, mas com a mudança de rota de alguns partidos, é provável que ele tenha que repensar o seu destino. O PDT, que quase aderiu ao governo, seria a sua primeira opção. Como a aliança não avançou, a estratégia pode não dar certo. E pelas mesmas implicações, os outros dois partidos também estariam descartados do caminho de Alencar. (Por Evandro Matos)Nilo promete cortar os salários de parlamentares faltosos na ALDepois que 63 deputados estaduais baianos iniciaram o ano recebendo R$ 50 mil por apenas 24 dias trabalhados e de terem comparecido a poucas sessões em 2008, alegando ano eleitoral, o presidente reeleito da Assembleia Legislativa do Estado, Marcelo Nilo (PSDB), anunciou ontem maior rigor no funcionamento da Casa. Nilo promete cortar o ponto dos deputados faltosos que não participarem das sessões deliberativas do plenário e afirma que só dispensará a presença em casos considerados excepcionais, como doença, falecimento de familiar, por exemplo. Cada parlamentar baiano recebeu, por apenas 24 dias trabalhados nos meses de janeiro e fevereiro, R$ 50 mil. Foram R$ 37,5 mil recebidos em janeiro - R$ 12,5 mil de salário e R$ 25 mil por convocação extraordinária, o que contabilizou 17 dias de sessões -, mais o salário integral de fevereiro, mês em que o período trabalhado foi de sete dias em razão do Carnaval e o final do recesso parlamentar. Marcelo Nilo diz ainda que vai cumprir um acordo firmado durante o processo eleitoral que o reconduziu ao cargo no início de janeiro, de que sejam votados projetos de autoria dos próprios deputados. Alguns deles, como o deputado Álvaro Gomes (PC do B), queixam-se de que a Casa funciona apenas para referendar projetos de utilidade pública enviados pelo Executivo.Lula acha “inaceitáveis” mortes em Pernambuco
Geddel admite, enfim, que vai disputar o governo baianoO ministro Geddel Vieira Lima (Integração Nacional) admite, pela primeira vez, ser candidato ao governo do Estado em 2010. Ele não esconde estar entusiasmado com a receptividade do seu nome junto à opinião pública, mas não se deixa picar pela mosca azul. Geddel é, sim, postulante ao Palácio de Ondina, mas não um obcecado pela ideia. O vento sopra a seu favor e em todas as direções. Primeiro, ele quer disputar o cargo. Segundo, o PMDB baiano está vibrando com a possibilidade de lançar oficialmente sua candidatura o quanto antes e, terceiro, o ministro sente-se desobrigado a cumprir acordos que não foram firmados. Como assim? Não está escrito em nenhuma estrela que Geddel comprometeu-se com A ou B em não concorrer à cadeira hoje ocupada por Jaques Wagner. Óbvio que a história não é estática, muito menos a política. Estamos ainda a 19 meses das eleições, tempo suficiente para as nuvens tomarem o formato que bem entenderem. Entretanto, hoje, a sua meta já está traçada. Haverá percalço no meio do caminho. Aliás, existem várias pedras no caminho de Geddel que ele espera, com habilidade e sobretudo diálogo, franqueza e transparência removê-las. O ministro está convencido de que joga democraticamente. Sem subterfúgios. Não poderão acusá-lo amanhã de ter esperado o momento certo para dar o bote. Ele conta a seu favor números acalentadores que o empurram em direção ao que considera uma nova jornada. Geddel não os revela, mas confirma a realização de pesquisas digeridas internamente que o colocam em situação senão privilegiada, pelo menos apto a partir para o front. Geddel não tolera camisa de força, daí não temer possíveis retaliações sejam dos governos federal ou estadual. Com o primeiro, a relação é tida como das melhores. Ele diz que o cargo de ministro não lhe pertence. Foi uma indicação partidária, mas na condição de auxiliar do presidente Lula, além do espírito de fidelidade cumpre seu trabalho com afinco e determinação. Antes adversário de Lula, Geddel assumiu para si o desafio de tirar do papel o projeto de transposição das águas do Rio São Francisco. Foi o primeiro grande embate travado por ele que resistiu às pressões da Igreja Católica personificada pelo bispo de Barra, dom Luiz Cappio, cuja greve de fome por mais de 20 dias apenas aumentou-lhe o apetite. As obras estão em pleno andamento, inclusive sendo vistoriadas periodicamente pelo ministro. O ministro Geddel não acredita que sua candidatura ao governo estadual provoque reação incômoda ao Palácio do Planalto. São cenários diferentes,embora o PMDB nacional tenha hoje forte inclinação para marchar com a candidatura do presidente Lula. A notícia mais nova na praça é a de que a ministra Dilma terá como seu passista o presidente central do partido e da Câmara, deputado Michel Temer. Durante o bate-papo despretensioso (minto, jornalista não pode considerar despretensioso uma conversa com um ministro que sempre tem algo de novo a revelar), ou amistoso como queira, houve quem sugerisse que a candidatura de Geddel poderia, sim, ser também abraçada pelo presidente Lula, que passaria a contar com duas cartas na manga para governar a Bahia: Wagner, que seria o queridinho de Lula, e Geddel, uma opção viável e concreta. Sobre essa hipótese o ministro não se manifestou. Mas disse estar pronto para enfrentar os obstáculos e superar as dificuldades. Também não lhe foi perguntado (portanto ele não tinha como responder) sobre a estratégia para agregar aliados durante a campanha de 2010. Sabe-se que o Democratas, que funcionou como parceiro na reeleição do prefeito João Henrique, namora apaixonadamente com a candidatura do tucano José Serra. O ex-governador Paulo Souto estaria com o passaporte já carimbado rumo ao PSDB para alavancar Serra no Estado. Souto, até que o próprio desminta, vai tentar novamente voltar para onde nunca desejou sair. Mas não se pode descartar uma composição que o privilegie com uma das duas vagas ao Senado. Se essa composição seria com o PMDB, só o futuro próximo dirá. (Por Janio Lopo - Editor de Política)Maior embate deve ser com o PTIndependentemente da vontade de Geddel Vieira Lima, a sua decisão ( ou melhor, a sua pretensão) de tornar-se o servidor público número um da Bahia vai de encontro aos anseios de reeleição do governador Jaques Wagner. O marido de Fátima Mendonça, a bem da verdade, quer o PMDB e o ministro ao seu lado, como ocorrera em 2006. Naquele instante todas as fichas recaíam para a reeleição de Paulo Souto. O PMDB fez sua aposta e venceu. Chegou junto com Wagner e, por merecimento, passou a ocupar duas importantes secretarias no âmbito estadual: Infraestrutura (Batista Neves) e Indústria, Comércio e Mineração (Rafael Amoedo). A lógica determina que os incomodados mudem de lugar. Os representantes peemedebistas na estrutura do governo baiano não parecem incomodados. Permanecem em seus postos. O próprio Wagner já deu sinais de que não tenciona substitui-los. Seria, na prática, o rompimento formal com o PMDB. O governador dá demonstrações de que alimenta ainda a repetição da aliança costurada com o partido de Geddel em 2006. Há um porém: como segurar as rédeas se todas as câmeras estão focadas para a candidatura do ministro da Integração Nacional. Wagner sabe mais do que ninguém que Geddel, por ser um obstinado, tende mesmo mergulhar de corpo e alma no seu projeto político. Afinal, ele conta hoje com mais de 100 prefeitos e tem na sua balança o saldo de ter ajudado a eleição de Wagner, queiram ou não os petistas mais ortodoxos, os mesmo que pregam abertamente o distanciamento da legenda do PMDB. Wagner, por seu turno, já insinuou por mais de uma vez que não se sente confortável em imaginar que está dormindo com o inimigo. Óbvio que se deve respeitar o objetivo de Geddel. Mas Wagner já expôs que seu governo não será usado como trampolim para que isso aconteça. Em sendo assim prevê-se o inevitável: PMDB e PT jogarão no lixo as alianças que os prendiam até aqui. Pode haver, claro, uma recomposição lá mais na frente. Ou não. Questionado sobre os contatos com Wagner, Geddel age naturalmente: as relações entre ambos são cordiais e maduras. Nesse contexto o ministro sempre se sai bem. Foi dele, por exemplo, a iniciativa de publicar na imprensa uma espécie de desabafo. Mais do que isso: a sua própria carta-testamento deixando o governador à vontade para mexer nos quadros do PMDB estacionados na máquina estadual, com um recado certeiro: em 2010 não seria mais candidato à Câmara dos Deputados. O ministro encheu o saco. Ou, em outras palavras, a Câmara o estressou. Para o seu lugar, no entanto, já um pretendente fortíssimo: Lúcio Vieira Lima, irmão de Geddel e presidente regional do PMDB. Lúcio é um peso-pesado (no bom sentido) da política baiana e uma revelação em termos de habilidade e relacionamento políticos. Bem, Geddel fora do Legislativo só lhe restaria o quê, cara pálida? Elementar: o governo da Bahia. Agora, ao invés de pedras, no meio do caminho de Geddel surgiram flores – espinhosas algumas delas, mas flores. Por seguidas ocasiões, o ministro foi lançado como o novo senador baiano e, mais recentemente, como provável vice na chapa da presidenciável Dilma Rousseff (Casa Civil). Quem conversa com Geddel percebe que essas (Senado e vice-presidente) não são suas praias. Seu perfil está mais para o Executivo do que para o blábláblá. Portanto, a cisão com Ondina não deve abalar os planos do PMDB. Ao contrário, o divisor de águas ficaria ainda mais claro. O PMDB ( e o PT também) seriam mais agressivos na busca de ocupar um maior espaço político. Isso daria uma nova dimensão à cena baiana. (Por Janio Lopo - Editor de Política)Eleição de Jaques Wagner e reeleição de João HenriqueO ministro Geddel não precisa bater o martelo e nem tampouco ir à praça pública para oficializar a sua candidatura a governador, apesar de estar na sua melhor fase política. São atribuídos a ele os méritos pela reeleição de João Henrique. O homem é pé quente. Onde meteu o bedelho saiu vitorioso. Vale relembrar que quando uniu-se a Wagner, o atual governador apresentava uma pontuação pífia nas pesquisas. Paulo Souto à época nem se deu conta de comprar um novo terno para posse já que era desnecessário gastar dinheiro com supérfluo. Afinal, a fatura já estava liquidada, como apontavam todos os institutos. Em sendo assim, só precisa passar e engomar o terno de sua preferência e correr para a galera. Para Souto, infelizmente, deu zebra. Sua única vantagem foi não ter coçado o bolso para uma despesa a mais. Wagner é grato ao auxílio do PMDB, o que não significa dizer que é seu refém. Com João Henrique sucedeu algo parecido. Mesmo depois de deixar o PDT e se filiar ao PMDB, o prefeito andava mal das pernas. O chamado governo de coalizão por ele implantado encontrou entraves sérios, sobretudo por conta do fogo amigo. PT, PSB, PCdoB e outros penduricalhos chuparam até o tutano do osso, mas o largaram quando a campanha à reeleição parecia naufragar. João chegou a um índice de rejeição superior a 60% e sua popularidade despencou. Reverteu o quadro em tempo recorde. Segundo ele, graças ao trabalho empreendido por Geddel, inclusive com a providência de recursos para aplicação em obras em Salvador. (Por Janio Lopo - Editor de Política)Candidatura consolidadaMinistro, e se João Henrique decidir disputar com o senhor a candidatura à sucessão de Wagner? Geddel responde sem cerimônia: é um direito dele. Entretanto, de acordo com o prefeito essa conjectura só faria sentido se o PMDB já não tivesse em Geddel o nome para lançar-se ao comando do Palácio de Ondina. E já que é assim, não há razão para insistir. Há, contudo, fortes buxixos sobre a eventual saída de João do Palácio Thomé de Souza em 2010,embora essa não seja uma partida que interessa ao PMDB.
O partido quer manter-se unido e ampliar o seu raio de atuação política. Entende, por exemplo, que o rompimento com o governo Wagner – que é apenas uma questão de tempo – pode abalar algumas das estruturas construídas nos últimos anos, apesar de considerar que os alicerces não sofrerão danos maiores. Políticos experientes acreditam que a explosão da aliança PT-PMDB deixaria o primeiro mais à vontade para cooptar prefeitos e mesmo outros partidários peemedebistas. A caneta de Wagner, mesmo não sendo mágica, tem poderes atraentes.
Poucas assinaturas seriam o suficiente para seduzir uma leva de prefeitos que vivem com a cuia nas mãos à espera da boa vontade do governo do Estado. (Por Janio Lopo - Editor de Política)DEM e PSDB vão sofrer mudanças na Bahia
PSDB espera Paulo Souto de braços abertosCaso o ex-governador Paulo Souto decida se transferir para o PSDB, a cúpula do partido o espera de braços abertos. Pelo menos esta é a ideia que se consegue captar entre os seus principais líderes, no caso os deputados federais Jutahy Júnior e João Almeida e o ex-prefeito Antônio Imbassahy. Apenas o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Marcelo Nilo, mostra-se contrário à ideia, mas a cada dia que passa a sua voz tem se tornado mais destoante dentro do ninho tucano. Sem querer influenciar na decisão do ex-governador Paulo Souto e não criar constrangimento com o DEM, o deputado Jutahy Júnior nunca declarou ser contra ou a favor da sua entrada no PSDB, apesar de entender que “se acontecer, será bom para ele, para o PSDB e para o Serra”. Jutahy adianta ainda que, independentemente da decisão de Souto, tucanos e democratas deverão estar no mesmo palanque na Bahia em 2010, o que reafirma a sua posição de observador, sem atrapalhar. “O que eu vou fazer na Bahia é fortalecer a campanha de Serra. Farei o que for necessário”, revela, apostando que o governador de São Paulo será o candidato do PSDB à Presidência da República. Em meio a essas notícias, o parlamentar baiano revelou o seu entusiasmo com a candidatura do governador paulista ao Palácio do Planalto. “O Serra virá muito forte. Hoje, ele lidera em todos as regiões, sendo o primeiro na Bahia e no Nordeste. Por isso, a estratégia é ter palanques fortes no Nordeste para não perder essa liderança”, admitiu. Ainda sobre a questão “Paulo Souto”, ele disse que não tem participado de qualquer conversa sobre a sua possível transferência para o seu partido. “Durante todo esse período, estive com o Zé Ronaldo (ex-prefeito de Feira de Santana e ligado a Souto) uma vez. Ele me disse que, se dependesse dele, iria para o PSDB”, revelou. Na última quinta-feira, 26, o ex-prefeito Antônio Imbassahy, outro nome forte do PSDB, declarou em entrevista ao radialista Dilson Barbosa, na rádio Princesa FM, em Feira de Santana, que Paulo Souto e José Ronaldo seriam “bem-vindos no PSDB”, caso quisessem ingressar na legenda. Imbassahy, contudo, admitiu que a notícia de que os dois estavam de malas prontas para o ninho tucano não passava de especulação. “No momento, o foco do PSDB é a eleição de José Serra para presidente. Vamos esperar uma manifestação concreta de Paulo Souto e só depois analisar melhor o assunto”, ponderou. Ainda no campo da especulação, também esta semana o atual prefeito de Feira de Santana, Tarcizio Pimenta, ligado a Zé Ronaldo, conversou com Professor Almery, o candidato derrotado dos tucanos na eleição passada. Outro nome importante dos tucanos, o deputado federal João Almeida também não seria problema para a entrada de Paulo Souto no PSDB. Pelo contrário, o parlamentar é o responsável pelo inicio das articulações em Brasília, mas também tem se comportado com cautela por entender que a operação é delicada. “Mesmo que seja de comum acordo entre as cúpulas das duas legendas, o pessoal do Democratas tem resistido por se tratar de um dos seus melhores quadros. Mas vai dar certo”, apostou.Tucano deve deixar o PSDBIndependentemente da entrada do ex-governador Paulo Souto no PSDB, já é dada como certa a saída do atual presidente da Assembleia Legislativa, deputado Marcelo Nilo, do partido. Segundo uma fonte que não quis se identificar, Nilo deverá trocar de legenda pela dificuldade que teria em continuar no PSDB e, ao mesmo tempo, apoiar a reeleição do governador Jaques Wagner (PT), num palanque opositor à proposta nacional da coalizão liderada pelos tucanos. Por isso, ele já busca uma alternativa partidária, podendo ser o PT, PSB, PP, PSC ou PDT. A decisão de Nilo estaria muito mais vinculada à proposta nacional do PSDB em montar um palanque forte na Bahia para o seu candidato do que a simples transferência do ex-governador Paulo Souto para o partido. Prejudicado nas eleições anteriores por desavenças locais, quando tucanos e democratas não subiam no mesmo palanque, agora a cúpula nacional dos dois partidos procura ajustar as diferenças antecipadamente para que os mesmos erros não se repitam em 2010. “Essa situação não tem mais cabimento. A morte do ex-senador ACM e a vitória do governador Jaques Wagner encerraram esse ciclo na Bahia. Não dá para fazer uma campanha como foi antes”, avalia Jutahy, ele mesmo o protagonista central do episódio que separava tucanos e democratas baianos. Diante dessa decisão de Marcelo Nilo, não se sabe qual seria a posição dos outros deputados estaduais do PSDB. Sergio Passos, com reduto na região de Jacobina, tem ligações tanto com o deputado federal Jutahy Júnior, que vai continuar no partido, quanto com Nilo, que deve sair. Quanto ao deputado Emério Resedá, com reduto na região sisaleira, veio do PFL e perde influência à medida que admite que não disputará a sua reeleição.Nilo aponta “erro político” do partido ao atrair SoutoMais que ferido, o deputado Marcelo Nilo (PSDB), presidente da Assembleia Legislativa, ficou perplexo com a praticamente fechada decisão da cúpula nacional do seu partido de transferir o controle da legenda tucana na Bahia para o ex-governador Paulo Souto (DEM). Sem saber ainda a que partido pedirá filiação, Nilo disse que fez uma “avaliação serena” para concluir: o PSDB baiano está incorrendo num equívoco político e eleitoral. “O PSDB da Bahia comete um erro político”, diz o presidente da Assembleia, “porque ACM Neto e Paulo Souto representam o carlismo, uma instituição marcada pelo autoritarismo, prepotência e arrogância, com o pensamento do mandonismo. Eles fazem política em benefício de pessoas, não da sociedade”, atacou. Ele acha que o PSDB está sendo “injusto com Wagner” e revelou a convicção de que os 27 prefeitos do partido na Bahia apoiarão a reeleição do governador. No entendimento de Nilo, se os tucanos baianos fossem com Wagner para governador e Serra para presidente em 2010, a votação do candidato presidencial seria maior. “Serra teve mais votos em 2002, quando nós apoiamos ele sozinhos, do que Alckmin, que teve em 2006 o apoio de Paulo Souto. O apoio do carlismo tira votos”, sentenciou Nilo, afirmando que o PSDB baiano repete o comportamento histórico de brigar com os aliados no poder, “é um partido disposto a ser oposição”. Para justificar a afirmação, o parlamentar lembrou que o PSDB, em 1990, rompeu com o governador Nilo Coelho (PMDB) para apoiar o então deputado Joaci Góes ao governo do Estado, desligando-se ao longo dos anos de aliados como o presidente Itamar Franco, a prefeita Lídice da Mata e o prefeito João Henrique. “Agora, com Wagner”, completou, “querem romper. Sou presidente da Assembleia Legislativa, e rompem comigo? Será a oposição o destino do partido?” Provocado, Marcelo Nilo admitiu que teve uma “conversa difícil” com o líder estadual do PSDB, deputado federal Jutahy Júnior, com quem tem “uma amizade de 35 anos que será mantida”, embora politicamente estejam, depois de tanto tempo, em caminhos divergentes. A ligação entre ambos vem de seus pais, o falecido senador Jutahy Magalhães e o ex-prefeito Edvaldo Nilo, de Antas, no nordeste baiano, quando ambos eram da Arena, partido de sustentação do regime militar (1964-1985), que tinha no falecido senador ACM seu representante máximo no Estado. O grupo do velho Jutahy foi um dos que abandonaram o carlismo para ajudar a eleger Waldir Pires (PMDB) para o governo do Estado em 1986. Nessa época Nilo se iniciou da política, orgulhando-se de ter tido sua ficha no PSDB abonada pelo falecido governador paulista Mário Covas. Eleito para a Assembleia pela primeira vez em 90, foi recebido com ressalvas na coalizão “de esquerda”, mas terminou sendo nos últimos 20 anos um dos poucos que se mantiveram firmes no anticarlismo. Outro parlamentar do DEM, este ligado ao próprio Souto, entende que não há decisão por enquanto, e explica: “Há um desejo da cúpula nacional do PSDB, mas há também resistência da cúpula do DEM. Por outro lado, a posição do senador Júnior não deve ser uma ação isolada. O problema é que o ex-governador não é um homem agressivo politicamente, suas ações são lentas. Diria que há 50% de chances de ele ir e 50% de não ir”.Saída configuraria infidelidadeA possibilidade de saída do deputado estadual Marcelo Nilo do ninho tucano, seja pela dificuldade que teria em continuar no PSDB e, ao mesmo tempo, apoiar a reeleição do governador Jaques Wagner (PT), num palanque opositor à proposta nacional da coalizão liderada pelo PSDB ou pela insatisfação com a entrada do democrata Paulo Souto na legenda, travou uma nova discussão. O questionamento da vez é se a decisão de Nilo, seja por qualquer um dos motivos, não se configuraria infidelidade partidária. De acordo com o especialista em Direito Eleitoral, Ademir Ismerim, com base na resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que, após uma consulta do DEM, em 4 de outubro de 2007 estabeleceu o entendimento de que a fidelidade partidária passa a ser a norma, porém só valendo a cassação dos mandatos de parlamentares que trocaram de partido após a decisão, o caso de Nilo se configuraria infidelidade e a conseqüência poderia ser a perda do mandato, com o repasse do cargo para o suplente. “Ou seja, do ponto de vista técnico o partido, em caso de confirmação do fato, pode sim requerer o seu mandato. Afinal, ele foi eleito pelo PSDB e só poderia deixá-lo em caso perseguição política ou de mudança de orientação programática, que seria passar, por exemplo, de esquerda para direita, ou vice-versa, o que não é o caso”, disse, ressaltando, entretanto que é preciso que a legenda requeira. “Pode ser que isso não aconteça e que através de um acordo a sigla entenda por disponibili-zar o mandato dele”, concluiu. (Por Fernanda Chagas)Criada frente contra corrupção nos 3 Poderes
Nordeste perde influência na sucessão de LulaComo o segundo maior colégio eleitoral do país, a Região Nordeste sempre foi cortejada pelos partidos para indicar um candidato a vice na formação das chapas para as eleições presidenciais. Foi assim com Marco Maciel (PFL-PE), eleito como vice na chapa de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) em 1994 e 1998, ou Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), sondado para ser o vice de José Serra em 2002. Da Bahia, o ex-deputado federal Luis Eduardo Magalhães também foi cotado para vice de Fernando Henrique e era o grande sonho do ex-senador ACM de chegar ao poder máximo da República. Mas esta influência política da região nordestina parece perder força na futura eleição presidencial. Cotado como presidenciável pelo PT, o governador Jaques Wagner logo saiu de cena por conta de articulações restritas ao Sudeste. Cotado como opção do presidente Lula para 2010, o deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) não conta com a simpatia do PT pela sua rebeldia. Com o surgimento do nome da ministra Dilma Rousseff, Ciro passou a ser especulado como o seu parceiro de chapa ideal, mas hoje, abandonado pelo Palácio do Planalto, luta para viabilizar o seu nome dentro do PSB. Diante da importância do PMDB, que passou a ser a noiva mais desejada para qualquer composição em 2010, o nome do ministro Geddel Vieira Lima passou a ser especulado como o vice ideal para a ministra Dilma Rousseff, provável candidata do PT à Presidência da República. Contudo, nos últimos dias o nome do deputado federal Michel Temer, presidente da Câmara, passou a ser a opção ideal dos petistas pela importância do colégio eleitoral de São Paulo, já que eles avaliam que a popularidade do presidente Lula será suficiente para conseguir os votos dos nordestinos. “Não creio que o presidente Lula pense assim. O eleitorado brasileiro é homogêneo. O que está por trás é a idéia de que no Nordeste o clientelismo é maior. Mas não creio que vão escolher (o vice) por este critério”, avalia Paulo Fábio, cientista político da Ufba. “Se o (Ricardo) Berzoini disse que o vice deve ser de São Paulo é muito mais pelo interesse do PT que a banda do PMDB de São Paulo tome outro rumo”, avaliou. “Creio que o que define a formação de uma chapa é muito mais a arrumação das forças político-partidárias”, completou Paulo Fábio.PSDB vai focalizar o NordesteMas qual a razão da perda de influência da região nordestina na composição da chapa presidencial de 2010 se a região continua como o segundo maior colégio eleitoral do país e possui políticos aptos para assumir a função como os governadores Jaques Wagner (PT-BA), Eduardo Campos (PT-PE), além do ministro Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) e o deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE)? Pelo raciocínio da sua cúpula, o ideal para o PT é ter um vice de São Paulo para poder dividir os votos com o governador José Serra, provável candidato do PSDB, onde ele é muito forte. Por isso o nome de Temer passou a ganhar corpo. Sobre o assunto o deputado federal Jutahy Júnior, que defende a candidatura de José Serra, diz que o presidenciável do PSDB sempre foi preocupado com a questão da Bahia e do Nordeste. “A prova disso foram as suas ações nos ministérios do Planejamento e da Saúde”, avalia. Sobre a opção do PT escolher um vice de São Paulo por entender que a popularidade de Lula já resolve os votos dos nordestinos, o tucano reprovou. “Vejo como algo meio arrogante. Dá a idéia de que os votos dos nordestinos têm dono”, criticou Jutahy. “Todos nós reconhecemos a força de Lula no Nordeste, mas há uma distância muito grande entre a história dele e uma candidatura totalmente desvinculada com a nossa região”, completou o tucano. Talvez por esse raciocínio de Jutahy o senador Jarbas Vasconcelos voltou a ter o seu nome apontado como o vice ideal na chapa do governador José Serra. Forte no Sul e Sudeste, Serra sonha com um vice do PMDB, e o nome do senador pernambucano, que ganhou força ainda mais depois das denúncias que ele fez na entrevista à revista Veja na semana passada, atenderia também ao requisito regional na formação da chapa. De qualquer forma, isso prova que os dois principais partidos que pretendem lançar candidatos à presidência da República em 2010 sonham com um vice do mesmo partido, mas têm focos em regiões diferentes.Oposição intensificará ação no “ano de trabalho” de WagnerO deputado Heraldo Rocha (DEM) só vai assumir na prática a liderança da oposição na Assembleia Legislativa na próxima semana, com a retomada dos trabalhos de plenário, mas ontem, quando a sessão não chegou a ser aberta por falta de quórum, ele deu o tom de como vai se conduzir: “O governador Jaques Wagner disse que vai trabalhar em 2009, não foi? Então vai precisar de mais fiscalização”. Manifestando a expectativa de que “o governador desça do palanque e resolva os problemas de saúde, educação e segurança”, Rocha disse que o desempenho da administração está “abaixo da crítica”. Ele descrê dos 72% de aprovação que uma pesquisa do Instituto Campus deu a Wagner e cita crise econômica como exemplo da falta de ação: “A Azaléia deu férias coletivas a seus empregados, agora é a Britânia que fecha sua fábrica e demite mais de 300. O comércio e o setor imobiliário sentem os efeitos da crise, que já levou a própria Federação das Indústrias a denunciar a questão. O governo da Bahia está omisso. Será que está acreditando mesmo que tudo não passa de uma marola?”, questionou. Apesar da carga retórica, Rocha assegura que não será feita “oposição radical”, que para ele foi uma característica, no passado, dos atuais governistas. “Seguiremos nesse aspecto a linha implementada pelo deputado Gildásio, com uma ação ética e serena, visando os interesses da Bahia. Tenho certeza de que, num futuro próximo, quando voltarmos ao governo, o PT e seus aliados não mais farão a oposição cega que faziam”. O parlamentar destacou a conquista, pelos oposicionistas, de três cadeiras na Mesa Diretora da Assembleia, “que é um órgão colegiado e teve agora uma grande oxigenação, para que a gestão da Casa seja não somente mais bem fiscalizada, mas também enriquecida com nossa participação e sugestões”. Um dos objetivos, segundo revelou, “é desenterrar essa caveira de burro” representada pela não-aprovação de projetos de autoria de deputados. O novo líder antevê dois projetos polêmicos para o período que se inicia, ambos encaminhados à Casa pelo Executivo. O primeiro concede aos agentes tributários da Secretaria da Fazenda a prerrogativa de constituir créditos, isto é, lavrar autos de infração, o que os equipararia aos auditores fiscais, cuja carreira é de nível universitário e exige a prestação de concurso público para seu provimento. A manobra do governo foi denunciada como um “trem da alegria” em benefício de cerca de mil servidores, e caso concretizada deverá onerar a folha da pagamento da Fazenda em cerca de R$ 80 milhões anuais, segundo cálculos do Instituto dos Auditores Fiscais. Heraldo Rocha não quer adiantar a posição da bancada, alegando que irá consultar os deputados antes de tomar uma decisão. Entretanto, quanto ao segundo projeto, uma proposta de emenda constitucional que trata do fim da estabilidade econômica do funcionalismo estadual, ele não tem dúvida: “É matéria vencida.” (Por Luís Augusto Gomes)Sanches anuncia as ações de sua administraçãoDepois de um período de paradeiro, parece que o Legislativo Municipal vai retomar agora suas atividades. Pelo menos foi o que prometeu o presidente da Câmara Municipal, vereador Alan Sanches (PMDB), que divulgou ontem quatro ações. São elas: o Projeto Câmara Itinerante; a revitalização do Projeto Câmara Mirim; a criação da frente parlamentar para debater propostas de revitalização do Carnaval no circuito Osmar; e debater um projeto de inclusão da Câmara Municipal no roteiro cultural de Salvador. Sanches disse considerar as ações “especialmente importantes para que a interação dos vereadores com a população seja cada vez mais efetiva e produtiva”. Ele disse ainda que aproveitou o período de Carnaval para alinhavar com vereadores de todos os partidos, já que se encontraram diariamente no camarote do Campo Grande e que já a partir da próxima semana vai intensificar contatos e preparar as estratégias de trabalho para implementar. “Sem descuidar dos outros temas de interesse da comunidade, pretendo agilizar os procedimentos para que passemos a interagir de imediato com a sociedade para saber o que ela pensa e quais são os seus anseios.
Tenho dito que a função do vereador extrapola a criação de leis e fiscalização do Poder Executivo. Temos que ouvir as demandas da população e intermediar a busca de soluções. Temos, também, que despertar a cidadania e a consciência públicas em nossos jovens e ativar o interesse pela cultura e pela nossa história que é muito rica, pois é a própria história do Brasil”, destacou o presidente da Casa.Câmara itinerante - A idéia é realizar sessões especiais nos bairros, com a presença de todos os vereadores para que possam conhecer in loco os problemas das comunidades e ouvir diretamente da população reivindicações e sugestões que possam servir para elaboração de projetos que tenham como objetivo melhorar a vida de todos.“Uma coisa é ouvirmos contar sobre como é viver na periferia e nos bairros mais carentes. A outra é o vereador conhecer pessoalmente o dia-a-dia de nossa gente, verificar como funcionam os hospitais, os centros de saúde, as escolas, os serviços de transporte coletivo, a segurança.
Com certeza, os vereadores terão uma visão bem mais clara do que deve ser feito indo ao encontro das comunidades”. (Por Carolina Parada)TSE intima Lula e Dilma a apresentarem defesa
Carnaval foi o prenúncio do jogo de 2010Os tambores e guitarras já silenciaram na avenida e a cena cede espaço à política, que ainda nos camarotes revelou fatos que estão diretamente relacionados com a disputa eleitoral de 2010. Entre os mais prováveis candidatos ao governo do Estado, a exceção do ex-governador Paulo Souto, que se isolou nas praias do Litoral Norte, os outros não perderam tempo e disputaram palmo a palmo os espaços da mídia e a simpatia dos artistas e foliões. Assim, o governador Jaques Wagner (PT), o ministro Geddel Vieira Lima e o prefeito João Henrique (PMDB) procuraram fazer o dever de casa, cada um ao seu modo. Já declarado candidato à reeleição, o governador Jaques Wagner foi um dos que mais investiram neste Carnaval. Expondo-se ao máximo e preocupado com os números da festa, o governador foi para a avenida com todo o seu staff e procurou tirar o máximo da folia. Preocupado com a violência do Carnaval, o petista pediu à própria imprensa que “valorizasse mais as coisas boas e desse menos atenção às questões negativas”, numa clara preocupação com o impacto negativo que a festa poderia trazer ao seu governo. Com a redução da violência, que é um dos principais problemas da sua administração, Wagner comemorou e espera mudar o quadro desfavorável que se lhe apresenta até o momento. Convencido de que o prefeito João Henrique possa ser seu concorrente em 2010, o governador parece ter estabelecido uma medição de espaço com ele neste Carnaval. Por isso os dois reacenderam desde o inicio da festa a velha pendenga do período eleitoral sobre quem fez ou deixou de fazer mais pela capital baiana. De olho em 2010, Jaques Wagner assumiu o discurso de candidato, o que foi confirmado através da sua movimentada agenda.Com Geddel à frente, o PMDB desfilou com outras opçõesAcomodado no Campo Grande no mesmo camarote do prefeito João Henrique, ou visitando o circuito Barra-Ondina, o ministro Geddel Vieira Lima também não se descuidou do fazer política. Bastante cumprimentado por aliados e foliões, Geddel pôde testar neste Carnaval as suas potencialidades sobre uma provável disputa ao governo do Estado em 2010. Sempre disposto, o ministro confirmou que será mesmo candidato, embora deixasse para o jogo das imaginações qual será o seu papel na futura eleição. Com vaga assegurada para disputar o Senado, Geddel aguarda “as consequências da conjuntura nacional” para definir o seu rumo. Ostentando as condições que ele próprio defende “como uma conquista do esforço pessoal e fruto do crescimento do PMDB na Bahia”, o ministro tanto pode disputar o governo do Estado quanto a ser o vice da ministra Dilma Rousseff, provável candidata do PT à Presidência da República. Provando a sua importância como “jogador” na futura eleição, o ministro pode ser considerado também uma carta na manga da candidatura tucana ao Palácio do Planalto em 2010. Mas o PMDB tem outra carta na manga caso queira mesmo disputar o governo do Estado em 2010. Ao colocar-se como “o próximo da fila” dentro do PMDB, o prefeito João Henrique demonstrou durante o Carnaval ser mais uma opção para o seu partido. A disputa de espaço com o governador Jaques Wagner durante o Carnaval mostrou que ele não está brincando. Como anfitrião, João Henrique fez uma jogada arriscada ao subir num trio e discursar para agradecer aos foliões e funcionários da prefeitura pela qualidade da festa. Aplaudido, João mostrou mais uma vez que sabe lidar com as massas.Paulo Souto pode mudar rumo da sucessão indo para o PSDBA transferência do ex-governador Paulo Souto do DEM para o PSDB ainda está no campo das especulações, mas o fato pode se concretizar a qualquer momento. Recolhido para descanso nas praias do Litoral Norte durante o Carnaval, Souto nada acrescenta sobre o assunto, mas é tudo por conta da delicada operação que o assunto envolve. Há resistência nacional do DEM, principalmente do presidente Rodrigo Maia. Contudo, na Bahia, embora também exista alguma resistência, a posição dos que são favoráveis é majoritária. Lideranças como os deputados federais Jutahy Júnior e João Almeida e o ex-prefeito Antônio Imbassahy não se opõem à decisão, principalmente se for para o bem do partido. Apenas o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Marcelo Nilo, tem se mostrado contrário à ideia. Aliado do PT no Estado, a Nilo não parece interessante porque o partido certamente passaria a fazer oposição ao governador Jaques Wagner, com quem ele pretende marchar em 2010. Mas é justamente aí onde está o “X” da questão. Sem um palanque forte para os seus candidatos nas últimas eleições presidenciais, a direção nacional do PSDB trabalha desde já os problemas existentes nos estados. Por isso, a entrada do ex-governador Paulo Souto é considerada estratégica para fortalecer o palanque baiano, colocando lado a lado tucanos e democratas, como deve acontecer no resto do País. Caso a decisão de Paulo Souto seja favorável a entrar no ninho tucano, inevitavelmente mexerá no tabuleiro sucessório de 2010. Souto pode se tornar o principal nome da oposição para disputar o governo do Estado, mas a possibilidade de o PMDB lançar um candidato, provavelmente o ministro Geddel Vieira Lima, pode haver uma recomposição, com o futuro tucano disputando o Senado. Mas como tudo vai depender da conjuntura nacional, alguns passos dados no Carnaval foram apenas ensaios para 2010. Por fim, o fim do Carnaval baiano também trouxe um sinal de paz dentro do PPS, com a possibilidade de mudança no comando estadual da legenda. Vivendo o mesmo drama do PSDB, que no plano local é governo e no nacional é oposição, os dirigentes do PPS baiano ensaiam um acordo, sinalizando a eleição de um nome que contemple o desejo das duas facções que dominam o partido. (Por Evandro Matos)Polêmica entre Meirelles e Caldas acaba na ALMesmo após encerrado o Carnaval, permanece a polêmica envolvendo o cantor e compositor Luiz Caldas e o secretátio estadual da Cultura, Márcio Meireles. Ontem foi a vez da oposição na Assembleia Legislativa criticar abertamente Meirelles. Em comunicado oficial, o líder do bloco, Heraldo Rocha (DEM), disse que o episódio envolvendo o criador da Axé Music não é o primeiro em que Meirelles tenta “destruir” a cultura do Estado. “Não é a primeira e infelizmente acredito que não vai ser a última ação deste secretário tentando acabar com o que temos de bom na nossa Bahia. Primeiro tentou destruir o Solar do Unhão, depois acabou com o Balé Folclórico e o Balé do Teatro Castro Alves, a Fundação Casa de Jorge Amado vive em crise, que também atinge o Teatro XVIII e já ameaçou fechar o Teatro Vila Velha, casa do próprio secretário. A crise também chega no Pelourinho, que está completamente abandonado”, disparou. Por tabela, Heraldo Rocha pede ainda que Jaques Wagner tome uma atitude e demita imediatamente o secretário do cargo. A polêmica girou por conta de o cantor e compositor Luiz Caldas, destacado como criador da Axé Music, ter acusado o secretário estadual durante a folia de ter boicotado o trio independente do qual o multiinstrumentista seria a estrela maior. Pelo projeto, Luiz Caldas tocaria por três dias nas ruas de Salvador para o folião pipoca. Mas, segundo Caldas, mesmo com a orientação da primeira-dama Fátima Mendonça e com o aval do governador do Estado, Márcio Meirelles engavetou o projeto. Pelo que se sabe, até o secretário Domingos Leonelli (Turismo) tentou intervir, mas não teve sucesso. Indignado com o descaso e a falta de respeito por parte do gestor da pasta da Cultura, Luiz Caldas escreveu um manifesto contra o secretário. O texto foi lido em pleno Carnaval , mostrando o que Caldas classificou como “política anti-cultural”. Meirelles, por sua vez, na ocasião declarou em nota que a respeito do manifesto divulgado pelo compositor jamais promoveu qualquer perseguição ou boicote à sua participação no Carnaval de Salvador. “Ao contrário, Luiz Caldas foi um dos primeiros artistas a serem convidados pela Secretaria de Cultura a participar do programa Carnaval Pipoca, que em 2009 patrocinou 20 desfiles, em trios sem cordas, nos dois circuitos da festa”. No documento constava ainda que “a Secult-BA apoia o Carnaval 2009 através de programas, com regras transparentes. (Por Fernanda chagas)TSE amplia rigor contra caixa 2 em campanhas
Igreja aborda o tema Fraternidade e SegurançaHoje, o cardeal arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil, Dom Geraldo Majella Agnelo lança a Campanha da Fraternidade 2009. Este ano a Igreja vai aproveitar o período da quaresma, que se inicia na quarta de cinzas, para refletir o tema: Fraternidade e Segurança Pública e o lema: A Paz é fruto de justiça. A celebração de abertura da campanha será na Catedral Basílica, no Terreiro de Jesus, às 19 horas. A quaresma é um momento de conversão e por isso a Igreja propõe sempre neste período a Campanha da Fraternidade, para que uma nova realidade mais humana possa nascer no ceio da sociedade. “Com este tema de 2009, a campanha nos convida a refletir, não sobre o policiamento público, mas o combate da violência no conjunto de ações de políticas públicas e ações pessoais”, explica o Pe. José Carlos Santos, vice-presidente de Ação Social Arquidiocese. Já que o convite da campanha também passa pela conversão pessoal o padre José Carlos dá dicas de como as pessoas podem favorecer esta transformação: “Primeiro é preciso criar uma cultura de paz em si mesmo. Depois buscar a oração, participar de encontros, seminários, reflexões, manifestações e cobrar ações junto aos poderes públicos que favoreçam a mudança,” conclui o sacerdote. Com o tema de 2009, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB – pretende debater a segurança pública e fomentar a criação de um cultura de paz na sociedade brasileira. “A paz buscada é positiva, orientada por valores humanos como a solidariedade, a fraternidade, o respeito ao outro e a mediação pacífica dos conflitos, e não a paz negativa, orientada pelo uso da força das armas, a intolerância com os diferentes e tendo como foco os bens materiais”, explica o texto introdutório do livro-base da campanha. Há 45 anos, a Igreja no Brasil realiza nacionalmente a Campanha da Fraternidade, sempre com o objetivo de despertar o espírito comunitário nas pessoas. Os temas destacados ao longo destes anos inicialmente destacaram a vida interna da Igreja, mas a consciência cada vez maior das injustiças e exclusões sociais e a crescente miséria no país levaram à escolha de temas ligados a realidade socioeconômica e política brasileira. Desde 1971, há uma participação mais ampla das comunidades, paróquias e dioceses, que enviam suas sugestões de temas aos regionais da CNBB e assim todo o país pode contribuir com idéias de tema para a CF. O lançamento da campanha sempre acontece na quaresma época em que a Igreja se prepara para reviver a paixão e morte de Jesus Cristo. Este é um tempo de introspecção e mudança de vida e comportamento para os católicos. Assim, a Igreja quer que as pessoas conheçam uma realidade neste momento de reflexão e possam rever a forma de lidar com o assunto criando uma sociedade mais justa e humana. A Missa de Cinzas abre a Quaresma, lembrando ao homem, que ele foi feito do pó da terra, e que em pó ele vai se tornar, quando morrer. Daí a oração do padre ao impor as cinzas na testa dos fiéis: “Lembra-te, homem, que és pó, e em pó te ás de volver”. As cinzas, símbolo de penitência, são feitas pela queima das palmas bentas do ano anterior. Esse espírito de reflexão da Quarta-feira de Cinzas se mantém durante toda a Quaresma, que é um tempo litúrgico de preparação para a Páscoa. São 40 dias em que a Igreja não canta músicas de glória e os tecidos usados nas missas são da cor roxa, que significa luto e penitência. Esse tempo se sustenta na oração, no jejum e na caridade. A duração da Quaresma está baseada no significado do número quarenta na bíblia. O quatro simboliza o universo material, seguido de zeros significa o tempo de nossa vida na terra, seguido de provações e dificuldades. Este número aparece em diferentes passagens bíblicas como os quarenta dias do dilúvio, os quarenta anos de peregrinação do povo judeu pelo deserto, os quarenta dias que Jesus passou no deserto antes de começar sua vida pública.Política e irreverência invadem as ruasMais uma vez o tradicional bloco Mudança do Garcia fez a diferença na avenida. Mesmo com a polêmica proibição de não poder usar carro de som ou mini-trio, o bloco usou toda a sua criatividade para fazer critica política e irreverência. A crise econômica mundial, a transposição do Rio São Francisco, o PDDU, a defesa dos salários e os direitos às igualdades foram os temas mais estampados. No meio político, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, o governador Jaques Wagner (PT), o prefeito João Henrique (PMDB) e o ministro Geddel Vieira Lima (PMDB) foram os mais visados. O bloco passou no Campo às 16 horas da última segunda-feira com uma verdadeira parafernália. Na avenida, além de pequenas charangas, carroças de burro com caixas de som, cavaleiros, baianas, bandeiras do Bahia, faixas e cartazes, havia também homens travestidos de mulher, políticos, sindicalistas e gente do povo. O bloco representa, principalmente, a voz de grupos excluídos, que encontram na festa uma oportunidade para fazer protestos e sátira politica. “Eu sempre participei. É uma festa onde há uma explosão da representação politica e cultural, que se diferencia das outras”, avaliou o deputado José Neto (PT). O prefeito João Henrique foi um dos mais visados, mas isso já era esperado devido às desavenças entre PMDB, o seu partido, e o PT, que tem forte influência dentro do bloco. As críticas sobre o IPTU, o PDDU e a Guarda Municipal foram as mais acentuadas. Um cartaz com os dizeres “Geddel + Carneiro é igual a Bode” mostrou que as críticas tinham por trás as digitais do PT, que ainda não digeriu a união que derrotou o partido nas eleições de Salvador. Mas o governador Jaques Wagner também foi alvo do bloco, notadamente do Sindivigilantes, filiado ao Comlutas, com influência do PSTU. “Governo Wagner: traição em precarização” e “Governador Wagner: Trabalhar e não receber é trabalho escravo”. No plano federal, a Mudança do Garcia cobrou ações do governo Lula, como: “Nenhuma demissão” e “Estabilidade no emprego”. A crise econômica mundial também veio para as ruas de Salvador com faixas que chamaram a atenção. “Obama é negro, mas a casa continua branca” ou “Bolsa de pobre não cai, já vive no chão”.Polêmica antecedeu o desfileA briga entre o PT e o PMDB, que se acirrou no segundo turno das eleições para a prefeitura de Salvador, também se refletiu no Carnaval. Os integrantes da Mudança do Garcia, bloco formado por sindicalistas e partidos políticos, principalmente o PT e PCdoB, além de integrantes de movimentos sociais, ficaram às turras com a administração do prefeito João Henrique (PMDB) porque foram proibidos de usar carros de som, mini-trios ou trios elétricos durante o seu desfile.A polêmica é fruto da extensão da disputa no segundo turno das eleições do ano passado que se deu entre João Henrique (PMDB) e Walter Pinheiro, o candidato do PT. A Mudança do Garcia se caracteriza principalmente pela sátira política e é acusada de invadir o circuito oficial do Carnaval no Campo Grande e atrasar o desfile dos blocos cadastrados pela prefeitura. Este ano isso se confirmou e foi preciso a policia pedir para o bloco apressar a desocupação da avenida. “Quando o PT estava na administração, isso ocorreu sem briga, com o maior bom humor e foi ótimo”, destacou o deputado federal Luiz Alberto (PT), que desde o final da década de 1960 desfila no bloco. “O que estão fazendo é uma censura política”, completou o deputado.Acordo garantiria ida de Souto para o PSDBDiferentemente da direção nacional do Democratas, a seção estadual do partido já avalia com tranquilidade e até um “sentimento de acordo” a possibilidade de ingresso do ex-governador Paulo Souto no PSDB, conforme revelou reservadamente um deputado da legenda ao site Política Livre e acordo com o parlamentar democrata, na Bahia a questão da eventual saída de Souto do partido é vista à luz de uma estratégia para a conquista do governo do Estado em 2010, da qual a direção nacional está naturalmente distante, o que justificaria sua eventual reação contrária. “No Democratas da Bahia, no entanto, podemos dizer que não há desacordo (em relação à filiação de Paulo Souto ao PSDB). Até seu filho (o deputado federal Fábio Souto) já disse que ficaria no DEM, se o ex-governador deixar a legenda”, argumenta o mesmo deputado. Ele lembra que, se o ex-governador quiser “sair forte em 2010", terá que agregar vários partidos e recorda, inclusive, que nos tempos do PFL era comum a legenda possuir quadros seus em agremiações na época aliadas como o PR e o PP. A indicação de Fábio Souto para a presidência da Comissão de Agricultura não teria tido nada a ver com uma tática da direção nacional do DEM para tentar manter seu pai no partido, conforme noticiou a imprensa, mas com um projeto alimentado pelo parlamentar desde o ano passado, fortalecido com a eleição de ACM Neto para Corregedor da Câmara.PMDB vai se oferecer a quem pagar mais
Jaques Wagner antecipa campanha de 2010Ao anunciar que 2009 seria um ano de realizações e pedir para que o processo eleitoral de 2010 não fosse antecipado, o governador Jaques Wagner (PT) parece ter apenas sinalizado para que a aliança política que lhe dá sustentação na Assembleia Legislativa não se desmoronasse para poder remar em águas tranquilas neste período pré-eleitoral. Na entrevista coletiva concedida no último domingo, Wagner além de já falar abertamente como candidato à reeleição, também age nesse sentido. Além de se preocupar com a violência do Carnaval, o petista diz estar atento à crise mundial e já faz projeções para a Copa de 2014, que deverá ter Salvador como uma das suas subsedes. Acompanhado de vários secretários estaduais, o governador falou com otimismo sobre o saldo do Carnaval de Salvador e fez questão de ressaltar o lado positivo da festa e minimizar o lado negativo, no caso as cenas de violência. “Respeito o trabalho da imprensa e não quero interferir no que vocês escrevem. Mas gostaria de fazer um pedido. Pelo amor de Deus, me botem na quinta página, mas não tragam para a primeira página a exceção da regra”, pediu o governador, referindo-se às notícias sobre a violência do Carnaval baiano. “Vamos registrar tudo, mas a taxa de estatística sobre a violência é ridícula. Vamos botar a festa lá em cima, destacando a alegria e a criatividade do nosso povo”, reforçou o petista. O pedido de Wagner tem sentido, mas a sua preocupação para que o índice de violência neste Carnaval não manche o sucesso da festa é evidente, e tem como motivo principal as eleições de 2010, sobre a qual ele já se movimenta e se articula nos bastidores. “Ninguém nunca fez um Carnaval como este”, destacou o governador, comemorando os números já anunciados da festa que, segundo ele, “apresenta uma redução em 10% no índice da violência”. O governador não confirmou se a ministra Dilma Rousseff, pré-candidata do PT à presidência da República, viria a Salvador no dia de hoje para participar do encerramento do Carnaval baiano. No sábado e domingo, Dilma esteve em Recife participando do Galo da Madrugada a convite do governador Eduardo Campos (PSB). Wagner não quis comentar a provável transferência do ex-governador Paulo Souto do DEM para o PSDB, considerado como um dos possíveis concorrentes ao governo do Estado em 2010. “Eu só posso falar pelo meu partido, mas se isso acontecer é natural que o PSDB vá para a oposição”, avaliou. (Por Evandro Matos)Souto reflete distante da foliaO ex-governador Paulo Souto não acrescenta uma vírgula sobre o que poderá acontecer em relação à sua provável transferência do DEM para o PSDB, mas o assunto continua vivo e poderá ter um desfecho logo após o Carnaval. Descansando nas praias do Litoral Norte, Souto retorna para Salvador logo após as festas carnavalescas e deve ser procurado pela direção nacional do PSDB para a definição do assunto. O objetivo é reforçar o palanque do candidato tucano à Presidência da República em 2010, provavelmente o governador José Serra, o nome mais forte dentro do partido até agora. A transferência do ex-governador Paulo Souto para o ninho tucano - atualmente ele preside o DEM - não só reforçaria o palanque do candidato tucano na Bahia como colocaria no mesmo palanque tucanos e democratas, que historicamente sempre foram adversários durante o período de domínio político do ex-senador Antônio Carlos Magalhães. Com a morte do ex-senador este tempo ficou para trás. Como principal trincheira de resistência dos tucanos, o deputado federal Jutahy Magalhães Júnior já se mostrou favorável à aliança, “desde que ela seja benéfica à eleição do candidato do PSDB à Presidência da República”. Existe ainda um clamor de vários deputados para que esta decisão aconteça logo para que os partidos comecem a definir as suas estratégias sobre 2010. Segundo uma fonte que não quis se identificar, “o empecilho maior está sendo o deputado Rodrigo Maia, presidente nacional do DEM, que não quer perder um dos seus melhores quadros”. Contudo, nos últimos dias o governador José Serra tem visitado e feito contato com alguns estados buscando fortalecer o seu nome e costurando alianças visando a eleição presidencial. Como a Bahia é um dos estados considerados estratégicos pelos tucanos, é provável que as conversas tenham avançado ainda durante este Carnaval. (Por Evandro Matos)Inquérito da PF liga Sarney a ‘desvios’ da GautamaPendurada nas manchetes em maio de 2007, a “Operação Navalha” agora só aparece no noticiário de raro em raro. Mas, em silêncio, a investigação prossegue. A Polícia Federal continua empilhando provas contra Zuleido Veras o baiano dono da Gautama. Zuleido, você deve se lembrar, comandava um esquema que fraudava obras públicas. O pedaço ainda inédito do inquérito reúne documentos de arrepiar. Num trecho do processo, o sobrenome Sarney irrompe com incômoda fluidez. Entre as obras esquadrinhadas pela PF está a ampliação do aeroporto de Macapá (AP). Foi licitada pela Infraero no final de 2004, depois de um pedido de José Sarney a Lula. Eleito senador pelo Amapá, o maranhense Sarney tem em Macapá, a capital do Estado, seu principal reduto eleitoral. Natural, portanto, que se empenhasse para dotar a cidade de um aeroporto mais bem aparelhado. O inusitado veio a seguir. A Gautama, construtora de Zuleido, sagrou-se vitoriosa na licitação da Infraero. Um certame fraudado, a PF acusa. O contrato embute, de acordo com a polícia, um superfatu-ramento de R$ 50 milhões. A PF colecionou provas que permitiram farejar o rateio do butim. Há no inquérito, por exemplo: comprovantes de depósitos bancários, gravações de diálogos telefônicos e planilhas de pagamento de propina. Numa das planilhas, recolhida em batida policial na casa de Zuleido, anotou-se a derrama de R$ 500 mil em campanhas eleitorais do Amapá. A PF suspeita que o rateio tenha sido feito sob orientação de José Sarney, identificado na planilha de Zuleido com a sigla “PR” (presidente). Há mais: a polícia informa que um personagem identificado como José Ricardo, lobista da Gautama, chegava mesmo a despachar no gabinete do senador Sarney. Há pior: segundo a PF, um dos encarregados de cobrar os óbulos da Gautama era Ernane Sarney. Vem a ser irmão do atual presidente do Senado. Ernane Sarney figura no inqué-rito como beneficiário de um depósito de R$ 30 mil de Zuleido. Não é só. A voz do irmão do senador Sarney soa num dos diálogos captados por grampos telefônicos realizados pela PF.Geddel aproveita a festa para intensificar contato políticoTotalmente em clima de campanha. Dessa maneira o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima (PMDB) está curtindo o Carnaval de Salvador. Questionado se durante a folia momesca o tema política estava suspenso Geddel foi enfático: “Que suspenso que nada. Estou aqui me encontrando com deputados, vereadores, amigos e, conseqüentemente, conversando com muito carinho sobre 2010 e pretendo sair do Carnaval fortalecido”, ressaltou mantendo apenas a incógnita de que cargo realmente irá disputar (Senado ou Governo Estadual). No entanto, devido a animação, as más línguas apostam numa disputa acirrada entre ele e o governador Jaques Wagner (PT), que já deixou claro o desejo de se reeleger.
“Estou felicíssimo com o carinho recebido pelo povo baiano. Com as pessoas já sinalizando para o futuro, o que me faz ter a certeza que sairei dessa festa fortalecido, com fé no futuro e confiança no grande trabalho que iremos fazer pela Bahia”, declarou.
Ainda numa clara alusão ao discurso que Wagner vem pregando de que 2009 é um ano de trabalho e não de política, Geddel disparou que: “Para mim todos os anos são de trabalho. Ou melhor, todos os dias e todos os minutos são para se fazer política e resolver problemas, que, diga-se de passagem, a Bahia tem muitos”.
O ministro aproveitou a oportunidade para parabenizar o prefeito João Henrique, hoje, depois dele, uma das figuras mais importantes da sua legenda. “A prefeitura está de parabéns. O que prova que o esforço que todos nós tivemos está valendo a pena. Portanto, é trabalhar ainda, no sentido de formar parcerias, para que a empresa privada possa participar cada vez mais da festa”, concluiu, destacando o trabalho da Guarda Municipal contribuindo pela primeira vez na grande festa, assim como da polícia, em prol da paz.
Já o governador Jaques Wag-ner, em entrevista coletiva, fez questão de destacar que a tão falada vaga de vice na chapa de Dilma Rousseff para a presidência em 2010 não lhe interessa e que seu principal objetivo é a reeleição ao governo da Bahia. “Não tem sentido o PT lançar uma chapa puro sangue, porque deve se abrir para alianças. E nem eu vou deixar de disputar a reeleição para ir tentar ser vice de Dilma”, decretou.
Wagner destaca os três dias de CarnavalHotéis lotados, redução de ocorrências policiais e de atendimentos de casos graves no setor da saúde. Esses foram os principais pontos positivos do Carnaval 2009, segundo o governador Jaques Wagner. Os dados foram avaliados durante coletiva de imprensa, realizada ontem, no hotel Tropical da Bahia. Segundo o governador, os 85% de média em ocupação hoteleira são níveis satisfatórios e positivos do ponto de vista da geração de emprego. Nos postos de saúde, houve apenas dois atendimentos relativos à festa considerados graves. Duas tentativas de homicídios, cujas vítimas já estão fora do risco de morte. “Até esse momento, o Carnaval tem sido um espetáculo. Numa festa com essa dimensão, com um milhão de pessoas nas ruas, ficar supervalorizando números ridículos, inexpressíveis de brigas de rua, de idiotas que preferem brigar a brincar e beijar na boca, é não ser a favor da Bahia”, ressaltou o governador. Respondendo a uma pergunta sobre a privatização dos lucros e socialização dos custos da festa, Wagner explicou porque o Estado investiu R$ 45 milhões, R$ 6 milhões a mais do que no ano passado.“O investimento feito sempre retorna em forma de emprego e geração de renda para o baiano, desde o catador de latinha, porque temos o maior número de reciclagem de alumínio do mundo, até os empregos gerados pela rede hoteleira. Por onde tenho andado, os empresários se dizem surpresos positivamente pela possibilidade de fazer bons negócios”, disse. Wagner também disse que considera que a crise financeira internacional não teve impacto direto na festa, apesar de ser essa a pauta nacional. “É óbvio que estou preocupado com a crise, principalmente com o segmento das exportações, mas acho que com obstinação e esperança, que são a marca do nosso povo, se supera tudo”.Por fim, o governador sugeriu que a imprensa valorize a alegria e a tranquilidade da festa. “Divulguem tudo, mas foquem o lado positivo da festa porque isso é bom para a Bahia e para os baianos”.PDT desiste, mas governo quer o partido na sua base aliadaEmbora o movimento de políticos na folia momesca de 2009 não esteja tão intenso como no ano passado, que tratava-se de um ano eleitoral, na pauta, o pleito de 2010 não deixou de ser discutido. O governador Jaques Wagner, por exemplo, em umas das suas poucos aparições tratou de afirmar que ainda nutre a expectativa de entrar num consenso com o PDT, do deputado federal Severiano Alves, atual presidente estadual da legenda. Poucos dias antes do Carnaval Severiano descartou qualquer tipo de negociação com o governo do estado sob o argumento que “cansou de esperar” Segundo Wagner, pensando em 2010, o interesse para a entrada do PDT no primeiro escalão do seu governo está mantido. “Nunca digo que as conversas pararam, tenho uma boa relação com o presidente Severiano, com o ministro Carlos Lupi (das Cidades). Mas este ano, como eu disse, estou me limitando à parte administrativa. Agora, é claro que no final do ano a mesa de negociação deve ser reaberta”, disse. Severiano, por sua vez, na contramão do discurso de Wagner, tratou de informar que logo depois do Carnaval, o partido vai decidir se seus parlamentares devem continuar na base do governo, depois que fracassou a tentativa de formalizar o alinhamento oficial com a direção pedetista. Na hipótese de a executiva sugerir o afastamento dos deputados, o comando do partido vai exigir que os parlamentares abram mão dos cargos que indicaram na máquina estadual. “Quem não fechar com o partido será obrigado a deixar a legenda”, destacou o presidente estadual da legenda, ressaltando que a decisão já foi comunicada executiva nacional e ao ministro Carlos Lupi (Trabalho), presidente nacional da legenda. Confirmando o que Severiano já havia dito de que PDT é aliado do PT agora somente a nível nacional, o deputado federal José Carlos Araújo, presente na capital baiana adiantou que p seu partido já projeta 2010. Segundo ele, o quadro ainda não está definido e apenas no segundo semestre a situação se aprumará. “Mas, o PR já tem uma inclinação. O partido tem conversado muito com Dilma”, enfatizou. Sobre o cenário local, Araújo acredita que a tensão entre PT e PMDB está com os dias contados. “Acho que Geddel não briga com Wagner. Ele será vice de Dilma ou disputará o Senado porque aí ele não terá nada a perder. Daqui a quatro anos Wagner não poderá mais se reeleger e ele sairá candidato ao governo com mais tranquilidade”, opinou, sem tocar na negociação do seu partido com o partido do governador. O governador Jaques Wagner e o vice-primeiro ministro da Líbia, Imbarek Ashamikh, conversaram, na manhã de sexta-feira, na sede do governo da Bahia, sobre a formação de uma Parceria Público Privada (PPP) para investimentos no projeto de irrigação do Baixio de Irecê. Há seis anos o governo líbio tem interesse em investir na região, mas esbarra em questões burocráticas. Ashamikh está no Brasil liderando uma missão do governo da Líbia, país produtor de petróleo do Norte da África, que dispõe de US$ 500 milhões para investir em projetos de agricultura na América Latina. A PPP do Baixio de Irecê teria a participação da Odebrecht. A conversa do governador com o vice-primeiro ministro teve como objetivo encontrar formas de agilizar as negociações para concretizar a parceria. O interesse líbio começou em 2003, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve no país e falou das oportunidades de investimentos no Brasil, incluindo o Vale do São Francisco. A missão da Líbia já esteve em Brasília, onde se reuniu com o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, para assinatura de convênios de cooperação econômica. (Por Fernanda Chagas)Bahia debate o PAC Habitação com Lula, Dilma e MantegaO governador Jaques Wagner reservou parte de sua agenda para discutir o plano de habitação com governadores do Norte e Nordeste, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os ministros Dilma Rousseff, da Casa Civil, e Guido Mantega, do Planejamento. No encontro, o governador defendeu as prioridades da Bahia e as necessidades do setor habitacional. O pacote habitacional do governo deverá ser divulgado nos próximos dias e o presidente Lula quis submeter as medidas ao crivo dos governadores para obter apoio nos estados para reduzir o custo de construção de habitações populares. O presidente quer que sejam cedidos terrenos ao governo para reduzir custo de construção de habitações. O plano de habitação do governo federal, que prevê a construção de 1 milhão de casas até o final de 2010, deve sair nos próximos dias, segundo antecipou o presidente, durante a reunião do Conselho Político, quando decidiu que antes de anunciar o plano se reuniria com governadores e prefeitos. A primeira reunião ocorreu já na última quinta-feira. Participaram os governadores da Bahia, Jaques Wagner, do Amazonas, Eduardo Braga, Pernambuco, Eduardo Campos, Piauí, Wellington Dias, e de Sergipe, Marcelo Deda. Inicialmente, os cinco governadores do Norte e Nordeste detalharam à ministra Dilma o déficit habitacional em seus respectivos estados. A ministra Dilma Rousseff é uma das coordenadoras do programa de habitação que Lula quer lançar depois do carnaval. Lula informou ainda quer fazer uma licitação para escolher projetos de construção para serem aplicados com tecnologia que una rapidez e economia. O presidente quer que os terrenos a serem disponibilizados pelos governos e prefeituras não sejam em locais ermos, mas em áreas já habitadas, com infraestrutura.Crise financeira mundial deve punir mais os salários elevadosOs trabalhadores com salários mais altos estarão entre os que sofrerão mais os efeitos da crise mundial no mercado de trabalho, segundo prevê estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), A previsão para 2009 ocorre sobretudo em razão de demissões feitas por grandes companhias do setor industrial, que devem se intensificar. A Embraer, por exemplo, anunciou o desligamento de 4.200 funcionários.O Ipea avalia que os empregados com rendimento acima de dez salários mínimos (R$ 4.650) são os que deverão ter mais dificuldade em encontrar e manter o emprego.É nessa faixa salarial que devem se concentrar as demissões e a rotatividade de trabalhadores (troca de salários altos por baixos). Também podem encontrar mais dificuldade em se manter no mercado os empregados com salários na faixa de 1,6 a 5 salários mínimos (R$ 744 a R$ 2.325).
Políticos se dividem entre a festa e descansoConsiderado como a maior festa popular do mundo, o Carnaval de Salvador é parada certa também para os políticos baianos. O governador Jaques Wagner (PT) esteve ontem pela manhã em Brasília para participar de uma reunião no Palácio do Planalto, mas à tarde já estava em Salvador para a solenidade de abertura oficial do Carnaval baiano e, às 20 horas, fez a entrega das chaves ao Rei Momo. Com uma agenda apertada, o governador deve permanecer em Salvador hoje e amanhã e depois se desloca para o interior, onde visita alguns municipios e deve voltar na terça-feira. De olho em 2010, quando deverá disputar a reeleição, o governador visitará o Carnaval cultural do município de Maragojipe, no Recôncavo baiano, no domingo. Na próxima segunda-feira, 23, Wagner irá até o município de Ilhéus, no sul da Bahia, onde também deverá prestigiar o Carnaval. Lá, o governador liberou recursos através da Bahiatursa para ajudar na organização da festa momesca. O ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima (PMDB), antes de entrar na folia recebe uma comitiva da Líbia, que vem à Bahia para conhecer os projetos de irrigação do Baixio de Irecê financiados pela Codesvaf. O encontro está marcado para as 12h30 na sede da Companhia, no CAB. O ministro estará acom-panhado do presidente da Codevasf, Orlando Castro. Os projetos são destinados ao assentamento de pequenos e médios agricultores e de grandes empresas dos municípios de Xique-Xique e Itaguaçu da Bahia, no Vale do São Francisco. Depois o ministro se juntará aos companheiros do PMDB para participar dos festejos de Carnaval. Já o ex-governador Paulo Souto, presidente estadual do DEM, viaja para o Litoral Norte hoje com a família e só retorna a Salvador na próxima quarta-feira. Segundo a sua assessoria, Souto “vai tirar uns dias para descansar”. Com o recesso do Congresso Nacional no período de Carnaval, boa parte dos deputados federais e senadores baianos também vai aproveitar para cair na folia de Salvador. Contudo, o deputado federal ACM Neto (DEM), recém-empossado na segunda vice-presidência e Corregedoria da Câmara Federal, já viajou para Milão, na Itália, de onde só volta na próxima quarta-feira. Segundo a assessoria do parlamentar, “ele está indo para descanso, sem qualquer compromisso político”. O deputado federal Severiano Alves, presidente estadual do PDT, é outro que não vai ficar na folia de Salvador. O pedetista vai descansar em sua fazenda, no município de Jeremoabo, região nordeste do Estado. “Vou sair um pouco para aliviar as decepções”, declarou o parlamentar, referindo às frustrações nas negociações do seu partido com o governo estadual. Na Assembleia Legislativa os deputados estaduais também se dividem entre os que vão para a folia e os que preferem descansar em um local tranquilo. Na Câmara de Salvador os vereadores vão comemorar à vontade. A festa começa hoje com uma feijoada no camarote reservado para eles, no Campo Grande.Governo paga este mês reajuste linear ao funcionalismo públicoA lei que estabelece o reajuste salarial de 5,9% para os servidores estaduais das diversas carreiras dos grupos ocupacionais do Poder Executivo foi sancionada pelo governador Jaques Wagner, ontem. A lei será publicada na edição do Diário Oficial do Estado de ontem. Com o reajuste, o governo do Estado garante o compromisso de que nenhum vencimento básico do funcionalismo seja inferior ao mínimo - que passou a valer R$ 465 no dia 1º de fevereiro. A manutenção do piso salarial mínimo para os servidores estaduais foi uma conquista assegurada desde 2007. O reajuste será incluído na folha de pagamento deste mês e atinge todo o universo do funcionalismo estadual, incluindo os 161 mil servidores da ativa, 67 mil inativos e 24 mil pensionistas. Aliado ao reajuste linear, que tem impacto orçamentário da ordem de R$ 244,3 milhões para este ano, “o governo estará pagando na folha de fevereiro, os valores referentes à reestruturação das carreiras”, explica o secretário da Administração, Manoel Vitório. O reajuste integra o pacote de ações para o servidor público acordados com o governo da Bahia que, junto com as representações sindicais, fechou um número recorde de acordos coletivos. Seis grupos ocupacionais com representação na Mesa Central de Negociação, representando 75,5%% do funcionalismo, assinaram acordos que contemplam avanços nas estruturas e remuneração nas carreiras do funcionalismo do Estado. O entendimento resultou em um conjunto de leis já sancionadas pelo governador Jaques Wagner. Os projetos contemplaram propostas para as carreiras de professor do ensino fundamental e médio, professor universitário, delegado, agente penitenciário, defensores públicos, técnicos administrativos, que engloba profissionais de nível superior, além das carreiras da área de saúde. Foram apreciadas alterações ainda para Especialistas em Políticas Públicas e Gestão Governamental (EPPGG) e procuradores do Estado, além da aprovação da Lei Orgânica da Polícia Civil e da lei que reestrutura a Polícia Militar na Bahia.Câmara e Assembleia adiam composição de suas comissõesEm clima de Carnaval, os parlamentares baianos tanto da Câmara Municipal de Salvador quanto da Assembleia Legislativa da Bahia, resolveram deixar para depois da folia a composição das Comissões Temáticas. Comissões estas, que têm a importante função de apreciar todos os projetos de lei antes que os mesmos sejam encaminhados ao plenário para serem votados e aprovados. A Comissão de Justiça, por exemplo, tem o poder de reprovar qualquer projeto de forma imediata. No entanto, apenas três das dez comissões que devem ser instaladas nas duas Casas ganharam formação definitiva. Na Câmara Municipal, em meio a muita polêmica, foram instaladas as bancas de Transporte, Trânsito e Serviços Municipais; Constituição e Justiça e Redação Final e Finanças, Orçamento e Fiscalização. Para a de Transporte, Jorge Jambeiro (PSDB) foi mantido na presidência, enquanto Adriano Meireles (PSC) ficou na condição de vice-presidente. Os titulares são: Alcindo da Anunciação (PSL), Giovanni Nascimento (PT), Luizinho Sobral (PTN), Orlando Palhinha (PSB) e Pedrinho Pepê (PMDB). Sandoval Guimarães (PMDB) e Odiosvaldo Vigas (PDT) assumiram a suplência. As outras duas, com base na proporcionalidade, serão comandadas por aliados do Thomé de Souza. A comissão de Constituição e Justiça continuará sendo presidida por Everaldo Bispo (PMDB) e a de Orçamento por Sandoval Guimarães (PMDB). Sob impasse continua a Comissão de Planejamento Urbano, que interessa tanto aos governistas quanto à oposição. No mais, existem apenas rumores. Está sendo ventilado, por exemplo, que Dr. Pitangueira (PRB), classificado como líder informal do Grupo dos 11, pode emplacar a presidência da Comissão de Saúde. Nos bastidores circulam ainda que a Comissão de Direitos do Cidadão pode ser presidida pelo vereador Henrique Carballal (PT), assim como a Comissão de Defesa da Mulher, pela vereadora Eron Vasconcelos (DEM). Resta esperar o Carnaval passar. No âmbito estadual, onde a bancada do governo tem direito a sete comissões contra três da oposição, que, diga-se de passagem, já acionou a Justiça para que fosse cumprida a regra da proporcionalidade, também somente três foram consolidadas, no sentido, entretanto, que o Projeto de Lei que altera a estrutura e reajusta os pagamentos dos servidores públicos estaduais, assim como os vencimentos do governador, do vice-governador e dos secretários estaduais, fosse votado. Ambos foram aprovados por unanimidade. Com isso, a equipe de Constituição e Justiça continua com o petista Zé Neto na presidência e Paulo Azi (DEM) na vice-presidência. O grupo de Finanças, Orçamento, Fiscalização e Controle passa a ter o comando de Arthur Maia (PMDB), assessorado por Beto Gaban (DEM). Já a de Educação, Cultura, Ciência e Tecnologia e Serviços Públicos tem a presidência de Bira Coroa (PT) mantida, com Luiz de Deus (DEM) no posto de vice. As demais comissões só após o recesso do Carnaval.Câmara e Assembleia adiam composição de suas comissões