http://www.carloseduardoeboli.globolog.com.br/ - 01/09/09 20:13:07 - 05/14/08 13:05:25
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O rato dribla o gatoNa mesma semana que o Ministro do Esporte, Orlando Silva Júnior, aprovou mudanças na lei Pelé que ainda passarão por uma avaliação no Congresso Federal, vimos o aumento dos tentáculos ferozes de um poderoso fundo de investimentos no futebol brasileiro, a Traffic. As alterações na Lei Pelé, que só serão apreciadas, em março do ano que vem, após o recesso parlamentar, tentarão diminuir a atuação de empresas, empresários e agentes no mundo da bola e visam proteger o clube formador. O curioso é que, hoje, estes mesmos clubes que pedem proteção, procuram parcerias e de uma certa forma se entregam de corpo e alma ao poder de investidores que, muitas vezes, atuam em várias instituições numa situação em que acho difícil evitar, no futuro, um grande conflito de interesses. E este é o problema e que fere a Lei Pelé no seu artigo 27 que diz o seguinte:
"Nehuma pessoa física ou jurídica que, direta ou indiretamente, participe da administração de qualquer entidade desportiva poderá ter participação em outra na mesma competição."
Este é o caso da Traffic. A empresa, em 2009, vai atuar em cerca de 30% dos clubes que disputarão o Brasileirão do ano que vem. É a principal parceira do Palmeiras, ajudou o Fluminense a segurar o meia Dario Conca, investindo mais de 6 milhões de reais no clube carioca e tem jogadores no Flamengo, Avaí, Vitória e Atlético Mineiro.
Ou seja, trata-se de uma teia de negócios que pode colocar em risco a credibilidade de uma competição.
A empresa se defende e diz que atua apenas como consultora de muitos clubes e que investe somente no Palmeiras. Tudo bem que estamos próximos do Natal, mas eu já passei da idade de acreditar em Papai Noel.
Enquanto os deputados pensam em alternativas de travar este avanço de território, os empresários fazem a festa e provam, mais uma vez, o quanto a estrutura da maioria dos nossos clubes é frágil e dependente.
Quem sofre com isso é o torcedor que vê o seu time ser montado e desmanchado como um castelo de areia à beira da praia. As instituições não ganham patrimônio, porém muitos dirigentes engordam suas contas bancárias e vão embora para casa felizes da vida.
Pelo visto, nesta briga de gato e rato, mais uma vez, os ratos vão deitar e rolar.